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Possibilidade de novo ciclone durante a presente época chuvosa em Moçambique

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O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê que Moçambique poderá ser novamente atingido por um ciclone durante a actual época chuvosa e ciclónica, que decorre de Novembro até Abril do próximo ano. Este fenómeno seria o segundo ciclone da temporada, após a passagem de Chido, que assolou a zona norte do país na semana passada.

De acordo com as previsões para a época chuvosa 2024/2025, poderão formar-se 12 tempestades no Oceano Índico, das quais cinco têm potencial para evoluir para ciclones tropicais. Um destes, o Ciclone Chido, já entrou no Canal de Moçambique, afectando as províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa. As consequências incluíram dezenas de mortos, centenas de feridos, destruição de habitações, deslocações de residentes, e prejuízos em estradas e infra-estruturas de comunicação.

Segundo Adérito Aramugi, meteorologista do INAM, além de Chido, que agravou a situação das populações no norte do país, existe a possibilidade de ocorrer outro fenómeno extremo nos próximos meses. “É amplamente conhecido que estamos vulneráveis à formação de ciclones no sudoeste do Oceano Índico, que podem deslocar-se para oeste e entrar no Canal de Moçambique. Durante esse percurso, monitoramos a sua trajectória e impacto, mantendo-nos em alerta para a eventual formação de outro fenómeno”, explicou.

Chido apresentou características semelhantes às do Ciclone Idai, registando-se ventos superiores a 195 quilómetros por hora, com rajadas de cerca de 230 quilómetros por hora, provocando danos significativos em Pemba, Mecúfi e outras zonas das províncias de Cabo Delgado e Nampula. No entanto, apesar da intensidade comparável, o impacto de Chido foi relativamente atenuado, em parte devido aos avanços na previsão meteorológica, à divulgação atempada de informações e ao aumento da consciência pública sobre medidas preventivas.

“Na província de Cabo Delgado, particularmente na cidade de Pemba, as nossas instalações também foram danificadas pela passagem de Chido. Houve destruição parcial de tectos de escritórios, colapso de três varandas e estragos em equipamentos informáticos”, detalhou Aramugi. Em outros pontos, como no distrito de Ancuabe, um pluviômetro e um portão foram destruídos, enquanto em Mecúfi ficou avariado o abrigo meteorológico e diversos instrumentos de medição. Em Chiúre, o painel solar de uma estação automática e o abrigo meteorológico sofreram danos; em Metuge, a vedação e alguns aparelhos também foram afectados.

Face aos prejuízos causados à rede de estações e aos equipamentos de observação, o INAM activou medidas de contingência para assegurar a continuidade dos serviços meteorológicos e manter a população informada acerca das condições atmosféricas, particularmente neste período em que se mantém a probabilidade de novas tempestades tropicais.