O líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, classificou de “ilegítimo” o Governo que resulta dos resultados proclamados das eleições de 09 de outubro, insistindo na necessidade de um diálogo construtivo e urgente para ultrapassar a crise que diz afectar o país.
Numa conferência de imprensa realizada esta terça-feira (24.12), em Maputo, Simango explicou não reconhecer os resultados que deram vitória a Daniel Chapo, candidato apoiado pela Frelimo, com 65,17% dos votos, sucedendo a Filipe Nyusi na Presidência da República. De acordo com o Conselho Constitucional, Venâncio Mondlane obteve 24,19%, Ossufo Momade 6,62% e Lutero Simango 4,02%.
Segundo o dirigente do MDM, “o candidato anunciado não é a solução dos problemas dos moçambicanos” e os resultados proclamados conduzem a um “Governo ilegítimo e não popular”. Simango sublinhou que o partido continua a apontar o que considera irregularidades eleitorais, como “discrepâncias, enchimento de urnas, falsificação de editais, manipulação de resultados e má gestão de todo o processo eleitoral”.
O líder do terceiro maior partido com assento parlamentar recordou que tanto Venâncio Mondlane, do mesmo campo da oposição, como Ossufo Momade, presidente da Renamo, não aceitam os resultados. Venâncio Mondlane, desde 21 de outubro, tem convocado manifestações e paralisações contestando o escrutínio, registando-se episódios de violência e pelo menos 130 mortos em confrontos com a polícia, conforme dados conhecidos publicamente.
Para ultrapassar a actual situação, Simango apelou a “um diálogo inclusivo, sincero e honesto”, bem como a um “compromisso político para as reformas do Estado”, o que passa, no seu entender, por “despartidarizar o Estado, rever a Constituição e aprovar um novo código eleitoral”. O objectivo, disse, é estabelecer políticas públicas que sirvam a população e evitem mais violência.






